• Dra. Léa Mara Moraes

O que é a Síndrome Asia?

Atualizado: Abr 29

O tema implantes mamários é amplamente discutido, seja por seus resultados compensadores - satisfação obtida pelas mulheres que se submetem ao procedimento, em busca de aumento mamário ou reconstrução em casos de câncer de mama - ou, ainda, pelas possíveis complicações.

POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES DOS IMPLANTES Já muito bem conhecidos são os fenômenos de contratura capsular, rotura e infecção dos implantes. A contratura capsular consiste na formação de uma cápsula fibrosa espessa em torno das próteses, dando uma sensação endurecida às mamas na palpação. Outra complicação possível é o rompimento dos implantes, consequência rara, porém possível. Tanto a contratura capsular quanto o rompimento têm uma chance de aproximadamente 10% após 10 anos do implante. É importante frisar que a contratura capsular pode estar relacionada à ruptura dos implantes, mas também pode ocorrer em implantes íntegros. Já a infecção, que raramente ocorre, acaba sendo mais delicada na presença de próteses, pois sendo “corpos estranhos” tornam o tratamento mais difícil, possibilitando a extrusão dos implantes, situação essa comumente chamada pelas pacientes de “rejeição” (mesmo que na realidade não o seja). Mais recentemente, por volta de 2015, foi descrita uma patologia relacionada à cápsula das próteses, chamada de “Linfoma Anaplásico de Células Gigantes” ou BIA-ALCL (abreviação em inglês para Breast Implant Associated Anaplastic Large Cell Lymphoma), um tipo de câncer do sistema linfático, que pode ocorrer na cápsula das próteses. Apesar de sua ocorrência ser muito rara, em torno de 1 caso para cada 35 mil implantes, necessita de diagnóstico e tratamento precoces, os quais são possíveis através do correto acompanhamento dos implantes ou da investigação de qualquer intercorrência. Outras situações que têm sido muito comentadas são a “doença do silicone” (BII) e a Síndrome ASIA (Autoimmune Syndrome Induced by Adjuvants ou Doença Autoimune/Inflamatória Induzida por Adjuvantes). Aqui também vale diferenciar estas duas situações. Veja abaixo.

1. A SÍNDROME ASIA É muitíssimo rara e pode ser causada pela exposição a vários materiais, chamados adjuvantes. No caso do silicone, ele seria o adjuvante. Por isso, “Doença Autoimune/Inflamatória Induzida por Adjuvantes”. Esta síndrome foi descrita em 2011 por Schoenfeld e consiste em um estímulo inespecífico do sistema imunológico em pessoas geneticamente predispostas, que suscita uma resposta inflamatória à exposição aos adjuvantes, que podem ser: óleos (parafina, gel derivados do petróleo), minerais (componentes com sílica, alumínio, cálcio), bactérias (Staphylococcus, Salmonella, Mycobacterium) ou até mesmo vacinas (casos onde o silicone atua como um adjuvante). O principal sintoma é o desenvolvimento de uma doença autoimune.

2. A DOENÇA DO SILICONE A “doença do silicone” (BII: Breast Implant Illness), por outro lado, refere-se a um conjunto de sintomas auto reportados por algumas pacientes que incluem sintomas oculares (ex. sensibilidade à luz), articulares (ex. dor nas juntas, dores musculares), dermatológicos (ex. perda de cabelo, pele seca), cansaço (ex. fadiga, insônia), ansiedade e depressão.

IDENTIFICANDO OS SINTOMAS Tem sido muito frequente (principalmente em redes sociais) que qualquer efeito adverso relacionado aos implantes de silicone seja considerado BII (doença do silicone) ou Síndrome ASIA, mas é muito importante fazer a distinção entre estas situações. Os critérios diagnósticos da Síndrome ASIA e da Doença do Silicone são muito inespecíficos, e ainda não cientificamente aceitos, dificultando muito a relação entre causa e efeito. Diferente do Linfoma Anaplásico de Células Gigantes ou da Contratura Capsular, situações com diagnóstico já muito bem definido. Os sintomas da Doença do Silicone (BII) devem ser respeitados e valorizados, porém diferenciados da Síndrome ASIA propriamente dita, uma vez que são situações distintas.

O EXPLANTE PODE SER NECESSÁRIO? Em virtude destes sintomas, muitas mulheres estão requerendo o explante, ou seja, a retirada das próteses mamárias. E a dúvida é: isso é possível? Sim, é possível. As próteses podem ser retiradas, podendo-se ou não complementar com uma outra cirurgia chamada de Mastopexia, que consiste na suspensão do tecido mamário remanescente. O tamanho das mamas resultante vai depender da quantidade de tecido mamário que a mulher ainda tenha. Em algumas situações, o tamanho permanece adequado, mas em outras a mama fica pequena. No entanto, sem o aspecto de "mama caída" e nem com aparência de uma mastectomia. Independente dos sintomas que a mulher apresente, as próteses também podem ser retiradas simplesmente pelo desejo de mamas menores ou, ainda, para pacientes que não queiram se submeter a futuras trocas.



Dra. Léa Mara Moraes, cirurgiã plástica

CRM-PR 10.492

RQE Nº: 4410 (CIRURGIA PLÁSTICA)

Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica


IMPORTANTE: se você deseja se submeter à alguma cirurgia plástica, lembre-se que para a sua segurança a recomendação é a de sempre procurar por médicos certificados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica